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A coluna vertebral - anatomia

16 de fevereiro de 2019

Estamos iniciando uma série de publicações sobre a coluna vertebral, sede frequente de dores, limitações e incapacidades.

Quase 100% da população humana teve, tem ou terá um episódio de dor relacionada com a coluna vertebral, pelo menos uma vez na vida. É uma das queixas mais comuns nos consultórios médicos. A dor na coluna vertebral é uma das mais importantes causas de faltas e afastamentos do trabalho, com altos custos individuais, sociais e econômicos.

Falaremos sobre vários aspectos da coluna vertebral: anatomia, biomecânica, principais alterações e doenças, efeitos do envelhecimento e da condição física na saúde e função da coluna vertebral. Também abordaremos os principais tratamentos disponíveis, suas indicações e contraindicações.

Existem muitas informações sobre como abordar e tratar as afecções da coluna vertebral, assim como quais as principais causas de dor e limitações, mas nem tudo que se afirma está baseado em evidências científicas. Assim, conhecer um pouco mais sobre a coluna vertebral, pode ajudar a entender melhor a doença e os tratamentos disponíveis. Apesar dos sintomas de dor serem semelhantes, nem sempre tem a mesma causa. Muito importante, é lembrar que, como em qualquer outra doença, o diagnóstico correto é a base para o tratamento adequado.

Anatomia óssea

A coluna vertebral é responsável por dois quintos do peso corporal total e é composta por tecido conjuntivo (partes moles) e pelas vértebras (tecido ósseo). As vértebras estão sobrepostas e formam uma coluna, daí o nome de coluna vertebral.

A coluna vertebral protege a medula espinal e as raízes nervosas que entram ou saem da medula nos vários níveis. A coluna vertebral é um eixo semirrígido e flexível para o movimento do corpo, sustentação da cabeça e fixação das costelas. É fundamental para a manutenção da postura e marcha. Serve de suporte para o corpo, ao mesmo tempo que permite a mobilidade do tronco, que pode fazer flexão, extensão, inclinação lateral e rotação.

A coluna vertebral humana é formada por 33 vértebras, distribuídas nas regiões cervical (sete), torácica (12), lombar (cinco), sacro (cinco) e cóccix (quatro) (Figura 1). A coluna vertebral vista de perfil tem quatro curvaturas: lordose cervical, cifose torácica, lordose lombar e cifose sacral (Figura 2).

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Figura 1 – Coluna vertebral: vistas anteriores, lateral e posterior. Fonte

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Figura 2 – Curvaturas da coluna vertebral. Fonte

As vértebras variam de tamanho e formato dependendo da região da coluna vertebral (Figura 3).

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Figura 3 - Vértebras típicas da região cervical, lombar e torácica (dorsal). Fonte

A coluna cervical tem sete vértebras e é o segmento com mais mobilidade da coluna vertebral. Permite os movimentos de rotação da cabeça, inclinação lateral e flexão/extensão do pescoço (Figura 4).

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Figura 4 – Movimentos da coluna cervical. Fonte

A coluna torácica é composta por 12 vértebras e é a mais longa e a menos móvel da coluna vertebral (Figura 5).

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Figura 5 – Coluna Torácica e Articulações com as costelas. Fonte

A coluna lombar é composta por cinco vértebras e, talvez seja a sede mais frequente de dores e limitações (Figura 6).

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Figura 6: 2ª vértebra lombar (vista superior) e vista lateral da coluna lombar. Fonte: Marcon, RM, Anatomia da Coluna Vertebral (pag. 1331-34) in: Greve, JMD, Tratado de Reabilitação, 2007, Editora Roca.

A coluna lombar tem maior mobilidade que a coluna torácica e, portanto, é mais sujeita à sobrecarga (Figura 7).

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Figura 7. Fonte

Disco intervertebral

O disco intervertebral é uma estrutura de tecido conectivo que se situa entre os corpos vertebrais e tem uma importante função no suporte das cargas gravitacionais e da ação muscular.

O disco intervertebral (Figura 8) é formado por uma camada externa mais rígida chamada ânulo fibroso que envolve o núcleo pulposo, estrutura mais gelatinosa, formada por proteoglicanos, que funciona como uma esponja, esvaziando quando pressionado e voltando ao formato normal quando cessam as forças compressivas.

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Figura 8 - Corte transversal do disco intervertebral. Fonte

O disco e as estruturas posteriores da coluna vertebral (processo transverso e espinhoso) suportam as altas cargas decorrentes das forças gravitacionais e musculares. As chamadas facetas articulares são as superfícies dos processos transversos e espinhosos que se articulam com os processos das vértebras acima e abaixo (Figura 9).

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Figura 9 – Disco intervertebral e Facetas articulares. Fonte

Durante o movimento de flexão do tronco, há mais pressão sobre os discos intervertebrais e durante a extensão, há mais pressão sobre as facetas articulares.

O funcionamento da coluna vertebral depende da unidade motora funcional da coluna vertebral, formada pelo corpo vertebral e disco intervertebral, facetas articulares, além dos ligamentos, músculos e raízes nervosas.

A coluna vertebral, ao longo da sua disposição, forma o canal vertebral, onde está a medula espinal, órgão do sistema nervoso central, que conecta as estruturas cerebrais com os órgãos e sistemas periféricos (Figura 10)

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Figura 10 – Distribuição da inervação e função da medula espinal. Fonte

As raízes nervosas entram ou saem da medula espinal pelos chamados foramens transversos e distribuem a inervação sensitiva e motora por todas as áreas do corpo (Figura 11).

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Figura 11 - Distribuição das Raízes Nervosas ao longo da coluna vertebral. Fonte

Resumo

Esta publicação apresentou um pouco da complexidade da anatomia da coluna vertebral. Na próxima, vamos falar da função e biomecânica da coluna vertebral e sua relação com o desenvolvimento das doenças mais frequentes.


Júlia Maria D'Andréa Greve

Blog mantido por Júlia Maria D'Andréa Greve, Professora Associada da Faculdade de Medicina da USP e Diretora do Instituto Viva Saúde & Fitness. Você pode segui-la no Twitter.  Se preferir, cadastre abaixo o seu endereço de e-mail para ser avisado das novidades.