Blog do Instituto VIVA

Capsulite adesiva

13 de abril de 2019

O que é "ombro congelado"?

A capsulite adesiva ou ombro congelado causa dor e limitação de movimento, que pioram gradativamente, levando à rigidez da articulação, daí o nome de ombro congelado. Pode regredir espontaneamente, com um a três anos de evolução.

A articulação do ombro é formada por três ossos: braço (úmero), a escápula e a clavícula, com um envoltório que é a cápsula articular, que junto com os ligamentos e o manguito rotador mantém a articulação no lugar. A cápsula articular do ombro é uma estrutura formada por colágeno e fibras elásticas (Figura 1).

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Figura 1 – Cápsula articular envolvendo a articulação do ombro. Fonte.

No ombro congelado, a cápsula articular fica mais espessa e aderida às estruturas subjacentes, diminuindo a mobilidade do ombro. Há perda de lubrificação pela diminuição do líquido sinovial com a formação de tecido fibroso, que restringe ainda mais a movimentação do ombro (Figura 2).

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Figura 2 – Ombro congelado. Fonte.

Sintomas

Os principais sintomas do ombro congelado são dor e rigidez, que dificultam muito a movimentação da articulação.

A dor pode ser muito intensa, com sensação de peso ou queimação no ombro, na musculatura em torno do ombro e ao longo de todo membro superior. A dor piora durante a noite e prejudica a qualidade do sono.

A capsulite adesiva evolui em três fases e todo processo pode durar até dois anos:

  • Inflamatória – dor e perda progressiva dos movimentos
  • Restritiva – fase de perda da mobilidade da articulação do ombro; seria a fase do ombro “congelado”
  • Recuperação – há uma melhora lenta do movimento da articulação

Este processo ocorre, geralmente, por uma alteração do sistema nervoso autônomo, que causa uma vasoconstricção no local, que leva às alterações da cápsula e perda do movimento da articulação.

Quanto mais precoce se faz o diagnóstico e se institui o tratamento, mais rapidamente há reversão dos sintomas da dor e rigidez.

O diagnóstico é feito pela história, exame físico (Figura 3) e exames de imagem, destacando-se a ressonância nuclear magnética, que mostra o espessamento da cápsula articular (Figura 4).

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Figura 3 – Ombro com limitação de movimento. Fonte.

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Figura 4 – Ressonância nuclear magnética do ombro com cápsula articular normal (a) e com capsulite adesiva (b). Fonte.

A capsulite adesiva causa sofrimento e limitação funcional para o paciente. É preciso que o diagnóstico e acompanhamento seja feito por médicos e terapeutas com experiência neste tipo de caso, para que todas as medidas sejam introduzidas em tempo hábil. O tratamento varia de acordo com a fase da doença e sintomas do paciente.

Na primeira fase, a dor é o principal sintoma e o tratamento é voltado para combater a dor. Em casos de dor intensa, faz-se bloqueios do nervo supraescapular na região do ombro, para diminuir a dor. Medicamentos antinflamatórios, analgésicos, anticonvulsivantes e antidepressivos podem ser usados junto com a fisioterapia analgésica (calor, estimulação elétrica transcutânea e movimentação suave da articulação). Após o controle da dor, faz-se um programa de exercícios para melhora da rigidez da articulação.

O programa de reabilitação para dor, mobilidade e função do ombro requer a assistência de um fisioterapeuta, para orientar e auxiliar na realização dos exercícios, principalmente nas fases iniciais. É muito difícil que o paciente sozinho consiga realizar todos os exercícios necessários.

Na Figura 5, vê-se alguns exercícios indicados nos casos de capsulite adesiva.

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Figura 5 – Exemplos de exercícios que podem ser feitos na capsulite adesiva. Fonte.

É um tratamento longo, que requer colaboração, disciplina e paciência do paciente, pois a melhora da amplitude de movimento é lenta e pode demorar alguns meses. Se não houver melhora com o tratamento conservador, pode se indicar cirurgia para liberação da cápsula articular.

A maioria dos pacientes melhora com o tratamento conservador, mas sempre se lembrar que a melhora é lenta e gradual, exigindo muita paciência e perseverança.

Na próxima publicação, falaremos sobre fibromialgia.


Júlia Maria D'Andréa Greve

Blog mantido por Júlia Maria D'Andréa Greve, Professora Associada da Faculdade de Medicina da USP e Diretora do Instituto Viva Saúde & Fitness. Você pode segui-la no Twitter.  Se preferir, cadastre abaixo o seu endereço de e-mail para ser avisado das novidades.