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O que é fasceíte plantar?

4 de junho de 2019

A fasceíte plantar é uma afecção muito comum que causa dor no calcanhar, em forma de pontadas.

Ocorre nos primeiros passos ao se levantar de manhã e melhora com a movimentação. Pode retornar após longos períodos de pé ou no início do movimento, quando se passa da posição sentada para de pé.

É causada pela inflamação da fáscia plantar, uma faixa grossa situada na sola do pé que conecta o osso do calcanhar com os artelhos (“dedos dos pés”) (Figura 1).

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Figura 1 – Fáscia plantar e localização da fasceíte plantar. Fonte.

A fasceíte plantar é muito comum em corredores, mas também pode ocorrer em pessoas obesas ou que usam calçados inadequados. Também pode ocorrer após esforços (andar mais que o habitual) ou em pessoas que passam muito tempo em pé.

Os calçados com solas flexíveis (sapatilhas femininas, chinelos, mocassins) podem levar à fasceíte plantar e contribuir muito para a manutenção da dor.

Sintomas

Dor na região do calcanhar na sola do pé. Frequentemente aparece quando se fica em pé após um período de repouso (dormir ou permanecer sentada). Geralmente aparece após o exercício, como por exemplo a corrida, mas, mais raramente, durante a realização da mesma.

Causas

Em circunstâncias normais, a fáscia plantar atua como suporte e amortecedor das forças aplicadas sobre o pé. Em casos de sobrecargas, a tensão na fáscia pode ficar muito grande e pequenas lesões (rupturas) podem aparecer, levando à inflamação do local. Porém, nem sempre, se consegue descobrir a causa da fasceíte plantar.

Com a evolução do quadro e a manutenção da sobrecarga sobre a fáscia plantar, o osso do calcanhar, onde a fáscia se insere, reage e começa a formar uma ponta óssea (entesófito), o chamado esporão do calcâneo. O esporão do calcâneo é visível nos exames de imagem, mas sua presença significa sobrecarga na fáscia. A fasceíte plantar é anterior ao esporão e a dor é causada pela inflamação da fáscia e não pelo esporão (Figura 2).

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Figura 2 – Esporão do calcâneo. Fonte.

Fatores de risco

Alguns fatores de risco para a ocorrência da fasceíte plantar são:

  1. Envelhecimento - mais comum após 40 anos.
  2. Tipos de exercícios – corrida de longa distância, saltos, balé, danças aeróbicas podem contribuir para o aparecimento da fasceíte plantar.
  3. Biomecânica do pé - pé plano (chato), pé cavo (arco plantar alto), alterações na marcha (hiperpressão) que podem causar sobrecargas na fáscia plantar.
  4. Redução da flexão dorsal do pé - encurtamento da panturrilha e limitação do movimento de dobrar o pé para cima (Figura 3).
  5. Obesidade - excesso de peso sobre as estruturas do pé.
  6. Atividades profissionais - que permanecem longos períodos de pé - garçons, balconistas, professores, cabelereiros.

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Figura 3 – Movimentos do pé e tornozelo: A – Flexão dorsal. B – Flexão plantar. Fonte.

Tratamento

A fasceíte plantar leva ao encurtamento crônico dos músculos da panturrilha e da própria fáscia, pela falta de apoio no calcanhar durante a marcha.

Assim o tratamento visa melhorar a dor e alongar as estruturas encurtadas e usar um calçado adequado que proteja o pé e suas estruturas das sobrecargas.

O tratamento, após a avaliação médica e diagnóstico consiste de:

  1. Analgesia

    a. Uso de gelo no local doloroso para redução da dor.

    b. Repouso – diminuir a sobrecarga para que haja melhora da inflamação. O repouso é importante para os atletas, que precisam diminuir ou parar as atividades de corrida ou de esporte durante um período.

    c. Terapia por ondas de choque – as ondas de choque radiais ou focais ajudam na melhora da sintomatologia, particularmente em casos crônicos.

  2. Cinesioterapia (Figura 4)

    a. Melhorar a flexibilidade da cadeia posterior com alongamentos ativos da panturrilha e fáscia plantar que deve ser feito várias vezes por dia

    b. Fortalecimento dos flexores dorsais do pé e outros musculos dos membros inferiores

  3. Uso de calcados com solas semirrígidas - evitar chinelos, mocassins e sapatilhas.

  4. Controle dos fatores de risco: obesidade, atividades profissionais e esportivas.

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Figura 4 – Exercícios para fasceíte plantar.

A fasceíte plantar pode ter uma evolução arrastada e demorar vários meses para melhorar mesmo com a realização do tratamento. Assim, as mudanças de hábito e atenção aos fatores de risco são fundamentais para bons resultados.

Manter o peso, exercícios regulares e ter cuidado com os calçados pode ajudar a prevenir e melhorar os sintomas da fasceíte plantar.

Na próxima publicação vamos falar de uma alteração muito comum da região do quadril, a bursite trocanteriana.


Júlia Maria D'Andréa Greve

Blog mantido por Júlia Maria D'Andréa Greve, Professora Associada da Faculdade de Medicina da USP e Diretora do Instituto Viva Saúde & Fitness. Você pode segui-la no Twitter.  Se preferir, cadastre abaixo o seu endereço de e-mail para ser avisado das novidades.