Blog do Instituto VIVA

Tratamento da hérnia de disco

25 de março de 2019

O tratamento da hérnia de disco depende da fase da doença e da sintomatologia apresentada.

A hérnia de disco pode se manifestar de forma aguda, com dor intensa de início súbito na região acometida da coluna vertebral com irradiação para a perna ou braço. A coluna lombar e cervical são as mais acometidas. Pode estar associada a um esforço prévio. A dor irradiada segue um trajeto que corresponde ao território inervado pela raiz comprometida (Figura 1 e Figura 2). Além da dor, pode haver alteração da sensibilidade e da motricidade, que também depende do nível de acometimento.

A hérnia de disco, também, pode se manifestar de forma crônica com dor insidiosa, intermitente com piora progressiva. O local e características da dor são semelhantes. Também, pode haver alteração da sensibilidade e motricidade de acordo com o local acometido. Pode evoluir com crises intermitentes de agudização dos sintomas.

image

Figura 1 - Território da dor irradiada - Hérnia de disco lombar. Fonte.

image

Figura 2 – Territórios de dor irradiada por hérnia de disco cervical. Fonte.

A presença de dor na coluna vertebral com irradiação para membros inferiores ou superiores SEMPRE PRECISA ser avaliada por um médico, para o diagnóstico correto da causa da dor, antes de se iniciar qualquer tipo de tratamento. Alguns casos, que evoluem com perdas neurológicas podem exigir uma cirurgia de emergência para serem revertidos. O diagnóstico é feito pela anamnese, exame físico e exame de imagem (ressonância nuclear magnética). Pode ser necessária uma eletroneuromiografia para melhor localização da raiz comprometida.

A dor é o sintoma mais presente na hérnia de disco e exige tratamento imediato e intensivo. São usados medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios, repouso relativo, fisioterapia analgésica: calor, eletroterapia e acupuntura. A dor pode perdurar por vários dias e o tratamento medicamentoso e fisioterápico precisa ser mantido, assim como o repouso relativo, para reversão dos sintomas.

A indicação de outros procedimentos analgésicos, como a manipulação vertebral e / ou massagens na fase aguda da hérnia de disco é muito controversa, porque existem riscos de piora do quadro com agravamento da condição neurológica.

De acordo com a evolução do quadro, retoma-se a movimentação gradual do paciente com exercícios ativos sem carga para ganho de mobilidade e flexibilidade e ortostatismo.

Alguns exercícios, com orientação e supervisão de profissionais, podem ser iniciados nesta fase. Sempre ouça o seu médico sobre o que se pode ou não fazer. Alguns exemplos são vistos nas Figura 3 e 4.

image

Figura 3 – Exercícios para dor lombar e ciática. Fonte.

image

Figura 4 – Exercícios para a região cervical. Fonte.

Após uma crise de dor causada por hérnia de disco é importante retomar, progressivamente, um programa de exercícios adequados para manter a mobilidade e flexibilidade, sempre orientado por profissionais da área.

A evolução e melhora do quadro de hérnia varia de pessoa para pessoa, daí a importância do seguimento médico e fisioterápico para a retomada de um programa de atividade física adequado à cada condição. Alguns casos não melhoram com o tratamento conservador instituído e podem necessitar de cirurgia, principalmente na presença de comprometimento neurológico e/ou instabilidade da coluna vertebral.

Mas, nos casos com boa evolução, após a liberação médica, deve se instituir um programa de fortalecimento da musculatura de suporte e movimento do pescoço, tronco, abdômen, região lombar e membros inferiores.

Músculos fortes protegem a coluna vertebral e discos, diminuindo a sobrecarga sobre estas estruturas. Importante saber:

  • Músculos fortes são essenciais para prevenir outras crises agudas de hérnia de disco, pois são eles que previnem as sobrecargas causadas pelas atividades do dia a dia.
  • Exercícios de fortalecimento fazem parte do tratamento da hérnia de disco, inclusive nos casos operados.
  • Não existem indicações universais e nem restrições absolutas: a intensidade, tipo e forma de execução dos exercícios necessitam de uma prescrição e orientação individualizada.

Os músculos abdominais, da região pélvica e os extensores do tronco formam o chamado “core” (Figura 5), que tem como função a estabilização da coluna lombar e a manutenção da postura, importantes para prevenir e tratar crises de hérnia de disco lombar.

image

Figura 5 – Músculos abdominais e extensores tronco. Fonte.

image

Figura 6 - Exercícios abdominais.

image

Figura 7 - Exercícios para extensores lombares

Também são importantes os músculos do tronco e da região escapular para a manutenção da postura e movimentos dos braços, coluna cervical e tronco (Figura 8).

image

Figura 8 – Músculos escapulares. Fonte.

São feitos os exercícios de remada e de puxada alta (Figuras 9 e 10).

image

Figura 9 – Remada

image

Figura 10 – Puxada alta

Os músculos dos membros inferiores também são importantes para manter a posição ortostática, para as atividades da vida diária e marcha (Figura 11).

image

Figura 11 - Músculos dos membros inferiores. Fonte.

Os exercícios para os extensores do joelho (leg-press horizontal) e para a panturrilha (flexores plantares) também são importantes na ação anti-gravitacional e marcha. (Figura 12 e 13).

image

Figura 12 - Extensores do Joelho (leg-press horizontal)

image

Figura 13 – Panturrilha

Outras atividades podem promover ganho de força muscular, mas a musculação feita de forma adequada e com orientação é a mais indicada pela possibilidade de se modular a carga, a execução do movimento e intensidade dos exercícios para cada pessoa.

As atividades aeróbias podem ser feitas por pessoas com hérnia de disco para manter o condicionamento físico, como natação, bicicleta, caminhada. Estas atividades, no entanto, exigem músculos fortes capazes de executar os movimentos e proteger a coluna vertebral das sobrecargas que podem advir. Assim, recomenda-se que após uma crise aguda causada por uma hérnia de disco, a retomada dos exercícios aeróbios deve ser feita após o um programa de fortalecimento muscular para maior segurança do paciente e eficácia do programa.

Mas, SEMPRE antes de iniciar um programa de fortalecimento muscular ou condicionamento físico converse com o seu médico e veja o que é mais indicado para o seu caso. E na hora de começar os exercícios, procure um profissional de fisioterapia ou educação física para a execução correta dos mesmos.

Nas próximas publicações vamos falar de osteoporose e suas consequências.


Blog mantido por Júlia Maria D'Andréa Greve, Professora Associada da Faculdade de Medicina da USP e Diretora do Instituto Viva Saúde & Fitness. Você pode segui-la no Twitter  Se preferir, cadastre abaixo o seu endereço de e-mail para ser avisado das novidades.